sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

gradativamente o mal

…e então, a luz do abajur foi subitamente desligada. Procurei pela luz do relógio digital, mas, aparentemente toda energia elétrica havia sido interrompida. Olhei então em meu celular: 03:03. Eu deveria estar dormindo, na manhã seguinte havia uma apresentação importante do trabalho de conclusão de curso…Pensamentos vagam em minha mente. O vento começa a soprar de leve, e atravessa a fina tela da janela de meu quarto, provocando movimentos ondulatórios nas barras do lençol. Sento-me na cama e fico a observar o pedaço de céu visível da minha janela. Apenas a Lua aparece. Começo a achar lindo os movimentos das nuvens negras ao redor da Lua; algo tão sutil. O frio percorre minha espinha. Fecho os olhos. Porque comigo? Não havia necessidade de tanta dor, afinal, eu sempre me esforcei para ser o meu melhor… Está certo que de uns tempos para cá, tenho me corrompido. Mas, espere, eu consigo justificar-me. Corrompo-me apenas psicologicamente! Ainda não me corrompi moralmente…Ainda? Bom, quis dizer, talvez eu não me corrompa! Ah, talvez eu deva aceitar o fato de sempre haver uma possibilidade… Veja, eu estudo, respeito meus pais, pretendo ter um futuro… Futuro… Não uso drogas, nunca trai ninguém, tento ser amigo, desejo a morte… Morte. Essa palavra as vezes salta em meus pensamentos, como um grilo para perto da folhagem. Será que me acolho na escuridão da mão-gelada? Bobagem! É madrugada, o sono está me fazendo ter esses pensamentos desconexos. Medo. Um arrepio percorre minha alma.Não posso me matar, tenho tanto há fazer… Mas, seria interessante, matar…Alguém…Alguns… Quem sabe? A adrenalina percorrendo o sangue o veneno caindo o cinismo surgindo a frieza agindo a tortura dor frio morte. Algumas pessoas não mereciam viver. Elas apenas destroem os sonhos alheios… Destroem os meus sonhos, meus… Raiva. Um calor intenso percorre todo meu corpo.Está definido. Devem morre, ELE deve morrer. Vai ser algo tão bom, poderei rir sozinho pelo resto da vida, será como em um filme, mas sem a parte em que me descobrem… Irei substituir a faca do teatro! Lógico! Como não havia pensado nisso? Ele faz teatro e se mata na peça… Se eu trocar a faca que encolhe por uma normal, não precisarei sujar minhas mãos no asqueroso sangue dele. Mas, terei de tomar cuidado com álibis e digitais… Está decidido, ele morrerá na frente de todos. Eu serei o grande artista da noite. Fingirei espanto, dor, tristeza… Deviam me ovacionar por isso. Deviam. Mas, espere… Eu… Eu… Não tenho roupa para o velório! Terei de providenciar isso, sim. Eu acho que depois disso, ninguém, jamais, irá… Merda. Quem iria me mandar SMS essa hora?“Meu amor por você é incomensurável. Te amo meu bebê”Mas, que porra é essa? Eu não… Eu, matar, ódio, raiva, dor, vomite, amor, amor, raiva, ódio, vingança, amor, amor, amor, amor, amor…!Que nunca mais os mantos da escuridão me absorva, Senhor. Que pesadelo em vida, foi. Sono.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Affair


A ansiedade tomava todo o meu ser. Faltavam apenas quinze minutos para o avião pousar, a contagem regressiva para uma nova fase, novos costumes, novo idioma, meu primeiro intercâmbio. A confiança também estava presente, isso era fato, assim como meus longos cabelos cor-de-laranja, sorriso doce, pele branca e cheia de sardas. Não seria difícil me adaptar, afinal, dá para fazer muita coisa em um ano.
As duas primeiras semanas passaram com uma velocidade absurda, todos os grupos de estudo já se encontravam foras das aulas para sair aos sábados à noite. Mas eu não gostava de muita badalação, preferia jogar papo fora, assistir a um filme, ler um livro...
Na sexta pela manhã, num período livre das aulas, resolvi sentar na praça de alimentação para comer algo enquanto checava os e-mails. Pedi um lanche e um suco e já ia sentar no balcão quando um colega me avistou e fomos sentar nos bancos acolchoados, longe do barulho.Nós não conversávamos muito, na verdade só tínhamos discutido assuntos em sala. Sentamos e abrimos nossos laptops.
- E aí, muitos e-mails urgentes?
- Que nada, a maioria é da família. Sabe como são os pais, ficam desesperados por notícias da filha.
- Esses pais superprotetores nunca mudam – disse ele entre sorrisos enquanto tomava um gole de capuccino.
- E você? Correndo com os trabalhos? – perguntei apontando para uma pilha de rascunhos.
- Ah, não. É só um trabalho, mas é particular.
- O que é?
- É um livro que estou escrevendo.
- Um livro? Nossa, sobre o que é?
Passamos a manhã inteira conversando sobre nossos autores favoritos, poemas, livros, músicas, filmes e ficamos inseparáveis. Passávamos o maior tempo possível juntos e ele me deixava em frente ao meu apartamento todos os dias após as aulas.
Em uma noite de domingo, como de praxe, eu colocava um filme no DVD quando a campainha tocou. Olhei no olho-mágico e era ele. Abri a porta.
- Olha só o que eu consegui! – começou ele histérico.
- Que felicidade é essa?
- Eu tenho dois ingressos para o lançamento daquele livro.
- O quê? Fico pronta em meia hora.
Foi uma das melhores noites da minha vida. Nós bebemos, comemos, tiramos fotos, pegamos autógrafos, ele me deixou na porta do prédio e... me beijou.
Tudo aconteceu tão naturalmente, que parecia familiar. Mas desde o momento em que ele se foi eu soube que no dia seguinte tudo voltaria ao normal, que nossas vidas seriam as mesmas, como se domingo a noite nunca tivesse acontecido.
Na manhã seguinte tudo caminhava como o esperado até o momento em que chegamos à minha casa. Ele pegou os livros da minha mão, chegou mais perto, segurou minha nuca e me beijou.
Ele me deixava tonta, boba, feliz. Eu não me importava se nós estaríamos juntos para sempre, um ano, ou agora. Eu só queria estar com ele.
Nós nos divertíamos a nossa maneira. Às vezes fazíamos tudo, às vezes fazíamos nada. Raramente éramos vistos em público. Eu adorava ouvi-lo contar seus sentimentos, suas viagens, suas aventuras, era como viver tudo mesmo estando parada.
Os dias foram se formando, os meses foram passando , até que chegou a hora de voltar para casa. Minha aventura precisava de um ponto final. Ele ficaria aqui por mais um tempo.
Então fiz minhas malas e entrei no avião.
O que me esperava agora?


“It’s really good to hear your voice saying my name
It sounds so sweet
Coming from the lips of an Angel”
Hinder – Lips of an angel

Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Ás vezes, por causa dos obstáculos, precisamos desviar do nosso caminho.
Só avalie se o desvio não é mais árduo que os próprios obstáculos.
Pode ser que valha a pena enfrentá-los.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente pra ser feliz de novo.

Martha Medeiros

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Impontualidade do Amor


Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.


Martha Medeiros

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Programe-se

É galera, hoje é quinta- feira e já estamos animados para o final de semana, não é?
Então, para você que quer se divertir, separei algumas dicas.

Baladas


*X-CARET: Você gosta de música latina? Então dance ao som da Banda Azúkar!
*JAMBALAIA: não importa se é samba, sertanejo, tecno, pop, black, o que importa é sair? Comece a noite no Jambalaia.

Cinema

* A Bruxinha e o Dragão :

Lilli é uma garota inteligente e animada, que dá muito trabalho para os professores e seus amigos com sua imaginação. O que ela nem imagina é que um divertido dragãozinho apareceria em sua vida, acompanhado do livro mágico. Atrás deste item de grande poder está um mago do mal, que dele irá utilizar o conhecimento para se tornar o maior mágico do mundo. Será que Lilli conseguirá impedi-lo? Estará ela pronta para ser a maior bruxa do universo? Assista aqui

* Encontro de Casais:

O filme conta a história de quatro casais que vão passar uma temporada num resort tropical e acabam se deparando com problemas nos relacionamentos, desde os mais complicados aos mais inusitados. A viagem se torna uma terapia em grupo. Será que a terapia vai ajudar ou atrapalhar? Assista aqui

* Sherlock Holmes:

Em uma nova e dinâmica representação dos personagens mais famosos de Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, enviará Holmes e seu fiel parceiro Watson em sua mais nova aventura. Revelando habilidades tão letais quanto seu lendário intelecto, Holmes irá lutar como nunca para combater um novo inimigo e desmascarar um plano mortal que pretende destruir o país. Assista aqui


Beijos.

Make Avatar

Oiee Pessoal !

Nesse final de semana eu, finalmente, fui assistir Avatar. E claro, como todas as pessoas que eu conheço e assistiram, estou apaixonadíssima *.*
Não pelo romance ou pelo ator principal (que é lindo), mas pelos Na'vi e por Pandora. Lá é tudo tão colorido e vívido (combina com a onda flúor hehe).
Bem, há algumas semanas encontrei um tutorial de make inspirado no filme e achei super moderninho.


Não considerei um look para o dia-a-dia, mas dá pra fazer algumas adaptações, não é? Como por exemplo, usar apenas o make da pálpebra superior.
Você vai precisar de:



  1. Sombra Uno Vult - Furta Cor
  2. Blush Yes Cosmetcs - Pink Girl
  3. Delineador Azul - jequiti
  4. Batom Nude - M.A.C
  5. Sombra DuoVult - Nº9
  6. Rímel Preto 3D - Contém 1g
  7. Sombra verde água Duo Avon

ps: não consegui foto da sombra verde - água da Avon, mas dá pra ver como fica na pálpebra aqui.

Espero que gostem.

Beijos.

Busca


Quem sou...
Já não sei quem sou.
Perdida entre as sombras do passado,
nas ruas tão escuras onde estou...
Perdi meu próprio Eu.
Já não me encontro.
Buscando ser feliz num mundo meu,
Somente me roubou quem tanto amei.

Morrer, sei bem não me convém,
Ainda que da vida já cansei.
Aos dias, seguem-se noites tão vazias.
E ás noites, tantos dias já nems sei.
Irei porém a caminhar,
Buscando a luz perdida no infinito.
Talvez consiga amor de tanto amar,
Talvez consiga um dia
O próprio Eu perdido, encontrar.


Maria Beatriz Campos
[Foto]

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010


Eu vivo assim, no meu mundinho
Quietinho e turbulento de paz
Às vezes ando distraída
Refletindo o que ficou pra trás
Não sei se vou ou se fico
Sei que tristeza maior não há
Pois a felicidade a mim acalanta
Mas não chega até lá...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um Dia pra Nós Dois

Um dia qualquer das férias de verão, eu arrumava meu guarda-roupa e ouvia Colbie Caillat no player quando o telefone tocou. Poderia ser qualquer um. Eu atendi:
- Alô?
- Oi! E aí, tudo bem?
Era ele. Fiquei apreensiva.
- Tudo certo...
- Me espera na estação? Estou chegando em meia hora.
- Mas o que você vem fazer aqui?
- Não é óbvio? Ver você, é claro.
- Ok.
Eu não entendi. Por que ele me ligaria só para me ver depois de tanto tempo? Logo agora que minhas feridas estavam cicatrizando, quando eu me acostumei a não lembrar de nós e passei a pensar nele com a atual namorada, no momento em que o passado deixou de ser dor e virou lembrança...
Mesmo assim nos encontramos no lugar combinado. Eu estava tão nervosa que minhas mãos suavam, minhas pernas podiam ceder a qualquer momento, lágrimas suplicavam para deixar meus olhos e rolar sobre minha face. O trem estacionou na plataforma, as portas abriram e ele veio em minha direção.
Ficamos parados, nos olhando durante alguns segundos. As pessoas passavam por nós como se fossemos duas estátuas. Então ele pegou minha mão sem dizer uma só palavra, e tudo o que eu sentia - o amor, a saudade, a confusão – se transformou em felicidade, a mais pura alegria.
Fomos ao parque, andamos de patins, vimos os peixes no lago, deitamos na grama, ele apoiou a cabeça no meu colo para que eu pudesse acariciar seus cabelos. Jogamos conversa fora, em nenhum momento fizemos menção ao passado, aos que passaram na minha vida, à que estava presente na vida dele, dos sentimentos que nos tomavam.... só falamos de coisas sem sentido, nada específico, nada que pudesse nos ferir.
Nunca tinha sido tão bom estar ao lado dele, como se aquela fosse nossas vidas, nosso para sempre...
Quando o dia já avançava, ele se foi.
Vendo-o embarcar ali, indo embora, me fez querer gritar, chorar, correr... Mas quando dei os primeiros passos tudo mudou, eu já não estava na plataforma, aquele era meu quarto, assim que percebi isso o relógio despertou. Já era hora de acordar, tudo não passou de um sonho...
Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Meus Pedidos

Todo ano, no reveillon, depois de desejar feliz ano novo à todos, eu faço meus agradecimentos pelo ano que passou e pedidos para o ano que chegou.
Desde que me entendo por gente minha lista é a mesma. Peço paz, para que as pessoas do mundo inteiro não comecem guerras por pura ganância ou preconceito; harmonia, para que minha família possa se unir e permanecer unida cada vez mais; dinheiro, só o suficiente para ajudar minha mãe nas contas; e amor, a final quem não quer viver uma linda história?

Bem, esse ano resolvi fazer uma pequena mudança na minha lista. Vou retirar o amor e pedir atitude. Não porque eu desisti de amar, pelo contrário, o amor vai ser excluído justamente pelo fato de ele já estar presente na minha vida, bem aqui guardadinho com as melhores lembranças. Em 2010, quero um pouco menos de turbulência nesse espaço tão pequeno para que eu possa caminhar rumo aos meus objetivos sem um coração pulsando incontrolavelmente no meu peito. Claro que se aparecer alguém.... Quem sabe não é?
Inclui atitude por um motivo único: de que adianta pedir tudo e não tomar a iniciativa? Pois é, eu sinto como se em 2009 tivessem me empurrado e eu nem percebi quando cheguei ao fim, como se a vida fosse um filme e eu a telespectadora. Eu parei no tempo por causa de algumas crises e infelizmente não deu para recuperar o tempo, mas nesse novo ano não vai ser assim, vou colocar meus planos em prática, dar um “up” na minha vida e continuar o que eu comecei há tantos anos....
E que venha 2010.

Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O Tal do Conhecimento


“Conhecimento é a única coisa que ninguém pode nos tirar”. Durante toda a minha “enorme” vida já me peguei reproduzindo este ditado inúmeras vezes.
Mas agora, passando por uma fase um tanto tensa, eu pude visualizar que essa frase não tem um sentido tão amplo.
Na adolescência - fase mais intensa, em minha opinião - o conhecer se torna mágico, fascinante, tanto que queremos descobrir e viver tudo ao mesmo tempo. Nós até podemos fazer isso, basta dar um passo após o outro e não ter pressa. Mas e quando o andar aumenta a velocidade e perdemos o ritmo?
Nesse ponto, quando a sede por viver intensamente faz você deixar família, amigos, ou seja, tudo para cair no mundo e ser feliz, o êxtase é frenético e bloqueia tudo que possa te fazer parar.
Lá pela meia idade, quando você se dá conta, o ritmo fica lento, você olha para trás e questiona quem e o que se tem.
Você tem as lembranças das viagens pelo mundo, das pessoas que conheceu, das empresas que trabalhou, das casas onde viveu, das roupas que vestiu, mas são recordações confusas, algumas até se fundem no real e no imaginário.
E você tem sua família, aqueles que abandonou e deixou passar fome por puro egoísmo. E eles não se importam, pelo contrário, abrem as portas de suas casas e te recebem com todo o carinho.
Agora, sem ter onde morar, sem ter o que comer, sem emprego, quem te sustenta são seus irmãos. Seu dia se resume a vagar pelas ruas, fumar e assistir tv.
Mas mesmo dependendo dos outros, seu orgulho ultrapassa os limites, não sente vergonha em recordar tudo o que viveu e ainda provoca intrigas, fofocas, causa nervosismo. Parece que seu intuito é abalar uma estrutura que já é frágil: a união de sua família.
Então de que adiantou a busca pelo conhecimento se você não construiu base, se já não uniformizou nenhum laço de sentimento verdadeiro, se seu psicológico está fraco e sem sustentação...
Prefiro ficar aqui, conhecer o que está perto e poder lembrar claramente de cada detalhe pra sempre...



Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fuga

Decidi largar tudo. Só por hoje.
Peguei meu iPod, o livro que estava lendo e todo o dinheiro que guardei da mesada nos últimos meses. Não sabia exatamente para onde estava indo, mas peguei o primeiro ônibus que ia sair da rodoviária.
Depois de 2 horas dentro do ônibus, cheguei e lá estava o mar!
Tirei meus sapatos e a mochila das costas, andei pela areia e molhei os pés. Tudo parecia tão mais calmo aqui, como se houvesse apenas eu e o oceano no mundo.
Depois de algum tempo, não sei quanto, percebi que havia um rapaz agachado ao meu lado. Usava uma bermuda florida que estava molhada, seus cabelos iam até os ombros e ficavam de um tom mais claro nas pontas como se estivessem queimados pelo sol. Com certeza era um surfista. Ele não pareceu reparar no meu olhar confuso.
- É tão bom observar o mar e sentir os problemas irem embora com o pôr do sol, não é?
Continuei virada para frente e olhei de esguela. Ele parecia tão confortável ali.
- Por que você simplesmente não conversa com eles?
Cada vez que ele falava sua expressão ficava mais carinhosa, suave e angelical. Como poderia ele ser tão diferente de todos e ainda saber o que eu estava pensando? Enruguei a testa.
- Pessoas como você vêm aqui todos os dias. É como mágica, como se fosse um remédio para alma. Elas vêm aqui, respiram o ar salgado, se sentem mais leves e voltam de onde vieram...
Eu queria mesmo desabafar com um estranho?
- Então, o que eles fizeram?
Decidi que sim.
- Eles sempre fazem na verdade.
Ele esperou.
- Meus pais são separados. Eu moro com a minha mãe, ela é enfermeira e trabalha no período noturno. Só a vejo de manhã quando ela chega do trabalho e eu saio pra escola. Meu pai mora na mesma rua que nós, ele é segurança, trabalha o dia inteiro e depois vai direto para o bar. Eu o vejo uma vez por semana.
- Eles não têm tempo para você. - concluiu o surfista.
Afirmei positivamente com a cabeça.
- Desde que eu tenho nove anos participo do grupo de teatro, e com quinze, entrei para o jornal da escola. Eles nunca foram a nenhuma peça minha e nem sequer sabem que tenho uma coluna só para mim. Sempre ouço aquele papo de “ser atriz é para poucos” ou “escrever é para quem tem o dom”. Como eles podem não confiar em mim? Eles me criaram.
- Seus pais só querem o melhor para você!
- Eu sei, mas o melhor para mim é estar no palco. Amanhã é minha ultima peça escolar e a diretora da escola de artes vai me observar. Meu futuro depende disso e eles nem sabem...
- Como assim? Você não os convidou? O medo deles é que você se perca...
- Eu não posso viver numa bolha para sempre. Eu tenho que ser livre!
- Você é livre! Tanto que está aqui, não para tomar uma decisão, mas para decidir como não magoá-los.
Nos olhamos e em seguida miramos o sol. Tanto tempo havia se passado que o céu estava laranja.
Passados alguns segundos, o garoto levantou de súbito.
- Tenho que ir, está ficando tarde.
- Mas...
- Não se preocupe, vai dar tudo certo.
Ele passou a mão no meu cabelo.
Me virei para pegar a mochila, mas ele já não estava lá.
Atordoada, resolvi pegar o ônibus de volta para casa. Dei adeus ao mar e caminhei até a rodoviária.
Cheguei em casa exausta, coloquei “ Girl, They Won’t Believe” na maior altura possível, tomei um banho e envelopei dois convites da semana cultural da escola.
Sem exitar, entrei no quarto da minha mãe e deixei um sobre o travesseiro, fui até a casa do meu pai e empurrei um por baixo da porta.
Voltei para casa, subi as escadas correndo, entrei no pijama, coloquei Bella’s Lullaby no player e dormi. Tinha que descansar, afinal, amanhã era meu grande dia...


Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O Príncipe de Bicicleta


No dia quatro de janeiro de um ano qualquer, chegou a vez dela. Por quê?
Ela sempre sonhou com o príncipe encantado, aquele que vem em um cavalo branco, que abra a porta da carruagem, que a entenda, que goste dela e a respeite.
Por puro azar, os príncipes que se apresentavam a ela pareciam sapos ou eram verdadeiros ogros.
Mas nesse dia não. Era o dia dela. A ama entrou no quarto - havia uma cama coberta por um véu azul, uma vista que dava para as montanhas, um livro sobre a poltrona ao lado da janela e um espelho que refletia a pele branca, os cabelos negros, os lábios rosados da filha do rei, que se penteava.
Cheia de surpresa e uma ânsia que não cabia em si, a princesa abriu o envelope e leu o que havia na carta trazida pela ama.
O espanto foi tamanho quando a menina reconheceu a letra que por um momento pensou estar enganada. Era ele, o jovem com quem se encontrava para desabafar, aquele com quem sorrira ao pôr do sol tantas vezes, o mesmo que lhe dava rosas vermelhas a cada novo dia, era ele, o seu melhor amigo. No papel, as palavras lidas refletiam o querer e o amor que o tão próximo amigo sentia por ela. Mas há tanto não se viam, como poderia ele ainda pensar nela? E de forma tão singela e carinhosa.
Toda sua indecisão e sensatez sumiram quando se lembrou dos detalhes, lembrou que ela tentava não confundir os sentimentos, mas agora ela sabia: ele a queria e ela o queria com a mesma intensidade.
Só uma coisa a angustiava: ele era um príncipe viajante. Seu principal objetivo era levar sua filosofia de vida para os outros reinos. Ia sempre com sua bicicleta onde quer que o chamassem. Tinha os cabelos cacheados e negros como a noite, era alto, e tinha um riso infantil.
Mas na carta dizia que se ela o aceitasse e esperasse tudo daria certo.
Sem demora, entregou uma mensagem de resposta endereçada ao príncipe viajante.
Durante meses as correspondências chegavam e iam aos montes, elas contavam detalhes de seus dias e noites, seus sentimentos e a saudade que abatia e maltratava ambos.
O rei, vendo que sua filha sofria por um rapaz que ninguém conhecia, ordenou que ela se casasse com um conde. Apesar de não concordar com tal decisão, a menina aceitou o casamento com respeito. A nobre não tinha coragem de contar ao seu amado tamanha fatalidade com medo de machucá-lo, então parou de mandar cartas, para que sua angústia e tristeza não transparecessem em suas palavras.
Já no dia do casamento, quando escrevia ao príncipe de bicicleta, para contar-lhe tudo e desculpar-se, a menina recebe uma carta.
O choque foi tão grande que ela deixou o tinteiro cair no vestido de noiva. No envelope havia uma rosa vermelha e os seguintes dizeres:
“Não se case, esse conde não te ama de verdade, ele quer vingança porque sua mulher o deixou para viver comigo. Desculpe, mas encontrei alguém que me faça feliz e já não posso voltar.”
Sem pensar no que estava fazendo, a princesa tirou o vestido de noiva e saiu do reino. Foi para as montanhas, viver em sua paisagem preferida.
Foi para não mais sofrer.


Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Rhanna

Hoje quero ser vários,
Em si e em ti,
Brindar à vida, sóbrio,
como pouco ainda vivi.

Do amor quero ser sócio,
Cobrir sem cobertor,
Redescobrir o descoberto,
Cheirar minha linda flor.

Em ti sempre estarei.
Minha linda flor, quero cheirar.
Nunca pra alguém te neguei,
Prometo, você vai gostar.

Quem acredita sempre alcança.
Se duvida, prove então.
É só voltar a ser criança
Pra ligar o coração.

Só contigo assossego,
Não quero ver-lhe partir.
Repito: nunca te nego.
E agora, não vou dormir.

Em ti sempre estarei,
Se feliz assim for.
Quem sabe lhe conquistei,
Quero cheirar minha linda flor.

Danilo Neiges