segunda-feira, 5 de abril de 2010

Desventura

Num dia normal eu teria tomado café da manhã antes de sair, mas hoje eu estava completamente atrasada, então peguei minha mochila e sai apressada.
Entrei no ônibus lotado e fui em pé, como sempre, mas hoje estava muito mais cheio que o normal.
Quando estava no meio do caminho, exatos 40 minutos do meu destino, o ônibus quebrou. O que me fez mais atrasada ainda. Cheguei ao curso de design no momento em que o professor dizia:
- Só mais meia hora, turma.
Ele me olhou e disse:
- Melhor se apressar, mocinha.
Eu não conseguia me concentrar, estava inquieta. Por isso odeio acordar atrasada, é como se as horas passassem ainda mais rapidamente. Conclusão: só consegui fazer metade da prova e não tenho certeza de nenhuma resposta. Resolvi não me preocupar tanto, afinal minhas notas eram boas, impossível não passar.
Quando estava no meio do meu almoço meu celular começou a tocar freneticamente. Era meu chefe.
- Eu preciso de você aqui em meia hora. Temos uma reunião com a gerência e é urgente.
Eu era apenas uma estagiária e ele não conseguia fazer uma reunião sem mim? A reunião foi um pé no saco, claro.
Enfim, o momento mais esperado do dia chegou. Hoje saia o resultado do vestibular. Fui correndo até a faculdade.
- Boa noite. Por favor, onde fica a lista de aprovados? – perguntei ansiosa.
- No final do corredor.
- Obrigada. - respondi recomeçando a andar.
Eu tinha ido bem na 1º fase, mas por mais que eu procurasse, não encontrava meu nome na lista.
Voltei para casa e encontrei meu irmão e um amigo discutindo no portão de casa, provavelmente por coisas idiotas. Fui para a cozinha e tomei um copo d’água.
- Você deixou o quarto uma bagunça hoje de manhã. – reclamou minha mãe enquanto eu deixava o copo na pia.
Subi para o quarto e quando eu tentava ligar o computador... a luz acabou. Me joguei na cama de roupa e tudo.
- É, parece que não foi um bom dia. Espero que amanhã seja melhor...

“Se a vida gasta em você
Te faz de pano de chão
Fica tranquilo porque nada é em vão
E o que se tem a fazer

É relaxar e beber
Trocar uma idéia com os amigos no BG”

Forfun - Hidropônica

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Retrato



Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha esse coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?


Cecília Meireles

quarta-feira, 31 de março de 2010

ódio

Talvez eu tenha demorado tempo demais, mas hoje eu finalmente percebi. Eu te odeio. Não é algo que eu possa controlar, está duramente preso ao meu coração.
Você não sabe o porquê desse sentimento?
Eu te explico. Eu te odeio por todas as vezes que você me fez sorrir, quando o que eu mais queria era chorar; por você ter me feito olhar para o futuro, mesmo meus olhos estando voltados para o passado; pelos momentos que você disse que eu era sexy e linda; por todos os minutos de silêncio; por você ter me feito feliz, mesmo que por pouco tempo. E principalmente, eu te odeio por ter me feito te amar tanto, um sentimento tão completo que jamais poderei deixar de sentir, muito menos esquecer.
Quem sabe um dia eu deixe de te amar. Quem sabe um dia...
Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

segunda-feira, 29 de março de 2010

Just Love...


Como viver sem um amor presente em nosso ser?
Um amor de paixão, que percorre a alma e liga o coração, que corre nas veias e arrebata com apenas um olhar, que nos faz estremecer só de lembrar, que nos deixa nas nuvens e sem sentidos quando o outro se aproxima.
Um amor secreto e sem segredos, que tem mistério, mas não tem medo, que aquece o frio e te dá forças para enfrentar o mundo.
Melhor viver um amor intenso e arrebatador e sofrer com o fim, a não se arriscar e não sentir nada.
Amo para viver, vivo para amar.
Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

sexta-feira, 26 de março de 2010

* Senti Saudade

Parecia um milagre que ele estava lá, com os braços abertos ainda esperando por mim. Ele veio me pegar, meu coração batendo erraticamente.
“Bem vinda de volta”, ele cochichou, me pegando nos braços.
Ele me embalou por algum tempo, até que eu reparei que as suas roupas estavam trocadas, seu cabelo estava macio.
“Você foi embora?”, eu acusei, tocando o colarinho da sua camisa nova.
“Eu não podia sair daqui com as mesmas roupas que cheguei- o que os vizinhos iam pensar?”
Eu fiz biquinho.
“Você estava profundamente adormecida; eu não perdi nenhum detalhe”, seus olhos me vislumbraram. “Você só começou a falar hoje cedo”.
Eu gemi. “O que você ouviu?”
Seus olhos dourados ficaram suaves. “Você disse que me amava”.
“Você já sabia disso”, eu abaixei a cabeça.
“Foi bom ouvir, do mesmo jeito”.
Eu escondi minha cabeça no ombro dele.
“Eu amo você”, eu sussurrei.
“Você é minha vida agora”, ele respondeu simplesmente.

Stephenie Meyer - Crepúsculo

terça-feira, 23 de março de 2010

weheartit

As coisas estão um tanto diferentes nos últimos tempos. Como se a temperatura não passasse dos 0º C, todos os dias parecem nublados (será que ainda existe um Sol?), e as cores deixaram de ser múltiplas e se transformaram em tons de cinza.
Um cinza apagado, manchado, borrado de tristeza e dor.
Eu costumava dizer que, apesar dos meus pés e mãos serem frios, meu coração ardia em chamas. Agora, porém, o fogo está se apagando e dando lugar ao gelo, que por ser duro, me impede de sentir.
Estou sem forças, meu ânimo se esvai e parece não querer voltar. Por mim, eu apenas dormiria o dia inteiro. Quem sabe, assim, esse cansaço de quem carrega o mundo nas costas, passaria.
Estou doente. Uma doença que fere a alma, mas abate o corpo.
Os médicos a denominam como depressão.
Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

segunda-feira, 22 de março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vai Entender



Você o conhece da maneira mais casual possível, ou de propósito - são apresentados por amigos, se acham na internet, etc. Não importa exatamente.
O fato é que depois do “primeiro encontro” vocês ficam muito próximos, se falam todos os dias ou sempre que podem, são os primeiros a saber das novidades, conversam sobre todo e qualquer assunto... enfim, se tornam amigos.
Até que um belo dia as intenções de ambos mudam, o olhar, os movimentos e cada palavra.
Então, quando se dão conta, vocês estão juntos. Sim, vocês são mais que amigos e menos que namorados.
Nós mulheres, de fato, somos muito mais carinhosas, cuidadosas e atenciosas, e claro que com ele você não deixaria de ter todas essas qualidades. Já os homens são um pouco “distraídos” nessa questão. Ele não te liga tanto e não oferece a mesma atenção que você.
Talvez porque você tenha demonstrado tanto carinho ela fica com medo e... some. Isso mesmo, ele te deixa da noite para o dia e nem se quer avisa.
Depois de um tempo (tempo suficiente para o pavor dele passar), ele reaparece.
Você, por ser burra, não guarda rancor e depois de muitas conversas, acabam voltando.
Dessa vez os papéis invertem: ele te trata como uma princesa, alguém que merece a atenção dele o tempo inteiro, mas você, provavelmente por precaução, se torna mais fria, menos atenciosa e já não está tão empolgada.
Coisas do coração? Da mente? Do ser humano?
Vai entender...

“Your memories’re turning to dust
There’s only one explanation
I wasn’t really in love
It was just a crush”
Crush - Selena Gomez

Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

segunda-feira, 15 de março de 2010

Fantasiar...ou Sonhar?

weheartit

Nunca me impediram de sonhar. Fico feliz, afinal, o que seria de mim sem meus sonhos? Desde pequena eles me acompanhavam além das noites, mais adiante nos dias.
Eu já não tinha horário certo ou momento ideal para viajar além da minha mente, dos meus planos, dos meus desejos. As tristezas e decepções eram sufocadas por momentos curtos de alucinações, que me faziam fugir do medo, e que por segundos pareciam reais.
Porém, houve um momento, não sei ao certo quando, em que a razão gritava mais alto que a emoção, havia uma guerra dentro de mim. Uma batalha sem ferimentos externos, mas que matava por dentro e abatia meus sentimentos.
Fui obrigada a voltar para o mundo de onde vim. A realidade que eu tanto me esquivava estava prestes a tomar conta do meu ser.
Talvez eu tenha vivido muito no meu eu e esquecido dos outros, talvez por isso ainda esteja perdida na indecisão, mas sei que estes sonhos vão me ajudar a viver. Pois eu vivo de sonhos.


“Si censuran tus ideas ten valor
No te rindas nunca
Simpre alza la voz”
No Pares - Dulce Maria

Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sinta...


weheartit

Ame, sorria, chore, brinque, sinta raiva, frio, calor. Ame, corra, dance, grite, nade, beije, abrace, escreva. Ame, coma, beba, extravase, cante. Ame, durma, leia, assista TV, pule, ame. Quem não se permite sentir, não está livre para amar...


quarta-feira, 3 de março de 2010

what is your favorite?

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

gradativamente o mal

…e então, a luz do abajur foi subitamente desligada. Procurei pela luz do relógio digital, mas, aparentemente toda energia elétrica havia sido interrompida. Olhei então em meu celular: 03:03. Eu deveria estar dormindo, na manhã seguinte havia uma apresentação importante do trabalho de conclusão de curso…Pensamentos vagam em minha mente. O vento começa a soprar de leve, e atravessa a fina tela da janela de meu quarto, provocando movimentos ondulatórios nas barras do lençol. Sento-me na cama e fico a observar o pedaço de céu visível da minha janela. Apenas a Lua aparece. Começo a achar lindo os movimentos das nuvens negras ao redor da Lua; algo tão sutil. O frio percorre minha espinha. Fecho os olhos. Porque comigo? Não havia necessidade de tanta dor, afinal, eu sempre me esforcei para ser o meu melhor… Está certo que de uns tempos para cá, tenho me corrompido. Mas, espere, eu consigo justificar-me. Corrompo-me apenas psicologicamente! Ainda não me corrompi moralmente…Ainda? Bom, quis dizer, talvez eu não me corrompa! Ah, talvez eu deva aceitar o fato de sempre haver uma possibilidade… Veja, eu estudo, respeito meus pais, pretendo ter um futuro… Futuro… Não uso drogas, nunca trai ninguém, tento ser amigo, desejo a morte… Morte. Essa palavra as vezes salta em meus pensamentos, como um grilo para perto da folhagem. Será que me acolho na escuridão da mão-gelada? Bobagem! É madrugada, o sono está me fazendo ter esses pensamentos desconexos. Medo. Um arrepio percorre minha alma.Não posso me matar, tenho tanto há fazer… Mas, seria interessante, matar…Alguém…Alguns… Quem sabe? A adrenalina percorrendo o sangue o veneno caindo o cinismo surgindo a frieza agindo a tortura dor frio morte. Algumas pessoas não mereciam viver. Elas apenas destroem os sonhos alheios… Destroem os meus sonhos, meus… Raiva. Um calor intenso percorre todo meu corpo.Está definido. Devem morre, ELE deve morrer. Vai ser algo tão bom, poderei rir sozinho pelo resto da vida, será como em um filme, mas sem a parte em que me descobrem… Irei substituir a faca do teatro! Lógico! Como não havia pensado nisso? Ele faz teatro e se mata na peça… Se eu trocar a faca que encolhe por uma normal, não precisarei sujar minhas mãos no asqueroso sangue dele. Mas, terei de tomar cuidado com álibis e digitais… Está decidido, ele morrerá na frente de todos. Eu serei o grande artista da noite. Fingirei espanto, dor, tristeza… Deviam me ovacionar por isso. Deviam. Mas, espere… Eu… Eu… Não tenho roupa para o velório! Terei de providenciar isso, sim. Eu acho que depois disso, ninguém, jamais, irá… Merda. Quem iria me mandar SMS essa hora?“Meu amor por você é incomensurável. Te amo meu bebê”Mas, que porra é essa? Eu não… Eu, matar, ódio, raiva, dor, vomite, amor, amor, raiva, ódio, vingança, amor, amor, amor, amor, amor…!Que nunca mais os mantos da escuridão me absorva, Senhor. Que pesadelo em vida, foi. Sono.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Affair


A ansiedade tomava todo o meu ser. Faltavam apenas quinze minutos para o avião pousar, a contagem regressiva para uma nova fase, novos costumes, novo idioma, meu primeiro intercâmbio. A confiança também estava presente, isso era fato, assim como meus longos cabelos cor-de-laranja, sorriso doce, pele branca e cheia de sardas. Não seria difícil me adaptar, afinal, dá para fazer muita coisa em um ano.
As duas primeiras semanas passaram com uma velocidade absurda, todos os grupos de estudo já se encontravam foras das aulas para sair aos sábados à noite. Mas eu não gostava de muita badalação, preferia jogar papo fora, assistir a um filme, ler um livro...
Na sexta pela manhã, num período livre das aulas, resolvi sentar na praça de alimentação para comer algo enquanto checava os e-mails. Pedi um lanche e um suco e já ia sentar no balcão quando um colega me avistou e fomos sentar nos bancos acolchoados, longe do barulho.Nós não conversávamos muito, na verdade só tínhamos discutido assuntos em sala. Sentamos e abrimos nossos laptops.
- E aí, muitos e-mails urgentes?
- Que nada, a maioria é da família. Sabe como são os pais, ficam desesperados por notícias da filha.
- Esses pais superprotetores nunca mudam – disse ele entre sorrisos enquanto tomava um gole de capuccino.
- E você? Correndo com os trabalhos? – perguntei apontando para uma pilha de rascunhos.
- Ah, não. É só um trabalho, mas é particular.
- O que é?
- É um livro que estou escrevendo.
- Um livro? Nossa, sobre o que é?
Passamos a manhã inteira conversando sobre nossos autores favoritos, poemas, livros, músicas, filmes e ficamos inseparáveis. Passávamos o maior tempo possível juntos e ele me deixava em frente ao meu apartamento todos os dias após as aulas.
Em uma noite de domingo, como de praxe, eu colocava um filme no DVD quando a campainha tocou. Olhei no olho-mágico e era ele. Abri a porta.
- Olha só o que eu consegui! – começou ele histérico.
- Que felicidade é essa?
- Eu tenho dois ingressos para o lançamento daquele livro.
- O quê? Fico pronta em meia hora.
Foi uma das melhores noites da minha vida. Nós bebemos, comemos, tiramos fotos, pegamos autógrafos, ele me deixou na porta do prédio e... me beijou.
Tudo aconteceu tão naturalmente, que parecia familiar. Mas desde o momento em que ele se foi eu soube que no dia seguinte tudo voltaria ao normal, que nossas vidas seriam as mesmas, como se domingo a noite nunca tivesse acontecido.
Na manhã seguinte tudo caminhava como o esperado até o momento em que chegamos à minha casa. Ele pegou os livros da minha mão, chegou mais perto, segurou minha nuca e me beijou.
Ele me deixava tonta, boba, feliz. Eu não me importava se nós estaríamos juntos para sempre, um ano, ou agora. Eu só queria estar com ele.
Nós nos divertíamos a nossa maneira. Às vezes fazíamos tudo, às vezes fazíamos nada. Raramente éramos vistos em público. Eu adorava ouvi-lo contar seus sentimentos, suas viagens, suas aventuras, era como viver tudo mesmo estando parada.
Os dias foram se formando, os meses foram passando , até que chegou a hora de voltar para casa. Minha aventura precisava de um ponto final. Ele ficaria aqui por mais um tempo.
Então fiz minhas malas e entrei no avião.
O que me esperava agora?


“It’s really good to hear your voice saying my name
It sounds so sweet
Coming from the lips of an Angel”
Hinder – Lips of an angel

Texto: Rhanna Ramos
Revisão: Lene Fernandes

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Ás vezes, por causa dos obstáculos, precisamos desviar do nosso caminho.
Só avalie se o desvio não é mais árduo que os próprios obstáculos.
Pode ser que valha a pena enfrentá-los.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente pra ser feliz de novo.

Martha Medeiros